
Um dia ouvi dizer que o mundo acabará. Que os mares invadirão os continentes, que a água potável se esgotará e haverão grandes guerras por conta disso. Que a temperatura poderá chegar a 50° em poucos anos, que animais sofrerão grandes mutações e que algumas espécies desaperecerão do Planeta.
Tudo isso me causou grande desespero e tristeza. O que será de nós? Como poderemos mudar essa situação? O que será de nossos filhos? E nosso netos? E nossos bisnetos? Existirá vida até lá?Tive vontade de fugir para longe. Mas fugir para onde? Não tinha para onde ir. Aquele era nosso destino.
Saí por aí procurando uma luz no fim do túnel. Precisava fazer alguma coisa. Sentia que meu interior morria aos poucos, me faltava ar. O ar era expesso, áspero, entorpecia minha mente.
Tudo parecia perdido. Me conformei, deitei, calei, esperei. Esperei a morte, o fim, o nada. Até que enxerguei ao longe, cores, muitas cores. Eram cores em movimentos (ou seriam moviemntos de cores?). Não importa, era lindo e diferente de tudo que já tinha visto em minha vida.
Ergui-me e fui em busca dessa plenitude, dessa magnetude singular. Ela corria, corria de mim. Parecia que tinha medo (ou eu que não era capaz de alcançá-la?).Eram cores que flutuavam, deslizavam como plumas. Eu não sabia o que era, apenas almejava tê-la em minhas mãos, guardá-la para mim.
Num determinado momento ela parou. Talvez estivesse cansada de fugir, talvez tenha percebido que eu não oferecia perigo, talvez tenha descoberto que eu era tão pequena e delicada como ela e que também tinha medo.
Fui me aproximando aos poucos, sem fazer barulhos, em passos contados e sutís. E ao chegar bem perto notei que era tão pequenina, mas irradiava uma beleza que não cabia em si, fiquei hipnotisada com tudo aquilo.
Nunca imaginei que pudesse encontrar tanta pureza numa frágil borboleta. Todo aquele sentimento de dor, de morte, de fim não mais existiam em minha cabeça. Entendi que mesmo em meio a tantas tragédias, lágrimas e desespero, ainda há seres que lutam por viver, que irradiam sua beleza para encantar a outros, que buscam a liberdade e continuam acreditando em seu potencial.
E aos que ficam, deixo-lhes a flor do asfalto!

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